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A celebração dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos coincidiu com o lançamento da Jornada Nacional Lula Livre na noite desta segunda-feira (10). O ato de abertura aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), mesmo local de onde Lula (PT) saiu para cumprir o mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, em 7 de abril.

A data e o endereço não foram escolhidos ao acaso. Oito meses depois, centenas de militantes compareceram novamente ao sindicato para denunciar as injustiças cometidas contra o petista.

Advogado e amigo de Lula, Luiz Eduardo Greenhalgh assumiu os microfones ao início do evento e lembrou que o processo que levou o ex-presidente à prisão foi marcado por arbitrariedades, com o objetivo de impedir sua candidatura e perpetuar o golpe.

“O juiz que se dizia juiz, que só julgava pelo aquilo que estavam nos autos, sem motivação políticas, agora é ministro da Justiça do Bolsonaro [PSL]. Agora se sabe o motivo da perseguição”, disse o advogado. Greenhalgh entende que, sem um julgamento justo para Lula, o Brasil foi sequestrado por um grupo disposto a atender os interesses da burguesia e perseguir os coletivos de esquerda.

O lançamento da campanha contou com a presença de movimentos populares em defesa dos direitos humanos no Brasil, na Argentina, em Portugal, na Nicarágua, no Equador e no Uruguai.

Durante o evento, o coletivo “Flores pela Democracia” fez uma performance artística e distribuiu rosas ao som da música “O Bêbado e o Equilibrista”.

Ideias em disputa
O representante da direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Raul Amorim, ressaltou o salto de qualidade da resistência de esquerda, contra o golpe e pela liberdade de Lula. “É hora de construir a base e seguir em luta”, declarou, ao lembrar dos 23 dias de greve de fome em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), da marcha que levou 50 mil agricultores para Brasília no dia do registro da candidatura de Lula, “além é claro, dos bravos militantes que estão na vigília Lula Livre, em Curitiba, desde o dia 7 de abril”.

Amorim aproveitou a oportunidade para reforçar a denúncia da morte dos companheiros José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, do MST da Paraíba, assassinados no último sábado (8). “Foram mortos covardemente dentro de um acampamento porque lutavam pela terra, pela reforma agrária”, disse. Segundo o dirigente, a Jornada Nacional Lula Livre precisa se apoiar na solidariedade de classe para manter o rumo. “Os comitês devem se agrupar e fazer a batalha das ideias. Ir nas periferias, ir na base. O trabalho de base precisa ser cotidiano”, finalizou.

Participaram do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC lideranças do campo democrático-popular, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que reforçaram a importância de Lula como símbolo da luta por um país com igualdade e desenvolvimento.

“Como ele [Lula] disse a nós nesse sindicato há oito meses, antes de decidir ir preso: ‘Não sou mais eu, sou uma ideia. E as ideias andam pelo mundo’. É a ideia dele que está andando entre nós. A ideia de que o povo pode ter e exercer direitos”, disse Hoffmann.

Ao final do ato, Haddad leu uma carta enviada pelo ex-presidente à militância: “Não troco minha dignidade pela minha libertação”, disse, em possível referência à prática de delações premiadas, recorrente na operação Lava Jato.

O ex-ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, também comunicou aos militantes um recado de Lula: “Não arredo um milímetro da nossa luta”. Marinho esteve com o ex-presidente em Curitiba na semana passada, e nesta segunda-feira garantiu que a jornada por “Lula Livre” vai se intensificar ao longo da semana de aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Edição: Daniel Giovanaz | Foto: Ricardo Stuckert | Brasil de Fato

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