03 de junho de 2019
Mais de 80 mil pessoas passaram pela terceira edição do Festival Lula Livre, na praça da República em São Paulo(SP). Foto: Ricardo Stuckert.

A chuva não intimidou os paulistanos neste domingo (2). Cerca de 80 mil pessoas, segunda a organização, passaram pela terceira edição do Festival Lula Livre, que contou com a apresentação de dezenas de artistas de diversos estilos. Palavras de ordem pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiveram presentes do começo ao fim do festival.

“Esse é um momento histórico. A prisão do Lula nada mais é do que privar a nossa liberdade de expressão. Todo mundo sabe que o Lula tem muita gente ao lado dele e, a partir do momento que encarceram ele, eles também encarceram a nossa voz, alguém que fala por nós e nos ajuda a chegar mais longe”, afirmou Mel Duarte, poetisa e integrante do grupo Slam das Minas.

Além de condenar a prisão política do ex-presidente, várias artistas destacaram o legado de algumas de suas políticas de combate à desigualdade e valorização da cultura, por exemplo. Cantoras e compositoras, Bia Ferreira e Doralyce, cantaram a música “Cota não é esmola”, de autoria de Ferreira, uma música em defesa da ação afirmativa de cotas para o ensino superior.

“O sentimento de estar aqui hoje é de agradecimento, porque se a gente faz o que a gente faz hoje, é porque a gente teve oportunidade de ter acesso à informação. E esse acesso só veio depois do governo Lula, e é preciso falar disso. Muitas pessoas pretas tiveram acesso à educação, à cultura, à saúde. E a gente não pode esquecer, não pode deixar morrer, tudo que esse homem fez pelo povo preto, pela tentativa de ter uma igualdade racial no Brasil”, expressou Bia Ferreira.

A multidão que se concentrou na praça não se importou com a forte chuva que caiu durante todo o dia. A organização do evento celebrou a diversidade vista entre os manifestantes. Para Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, “um festival como este, com a presença de muitos artistas, muitos músicos, discutindo o que significa a prisão injusta de um inocente como Lula é uma coisa extraordinária, porque gente consegue de uma outra forma, chamar a atenção de outras pessoas sobre os problemas que o nosso país enfrenta. Um país que enfrenta ataques aos direitos civis, à educação, à saúde”.

Durante o festival, o público se manifestou em diversos momentos pedindo por justiça a Lula. A assistente social Ruane Gomes, que saiu de Limeira, interior de São Paulo, para acompanhar o ato, alertou para a falta de provas para a condenação de Lula.

“Nós já temos uma série de comprovações de que nenhuma das provas consegue realmente dizer pra gente que o Lula cometeu de alguma forma algum crime. E se não há provas, não há porque ele estar preso”, expressou.

José Paes de Lira Filho, mais conhecido como Lirinha, foi um dos vários artistas presentes representando o Nordeste. “Estou hoje em uma praça pública da maior cidade do nosso país, engrossando o coro da população por Lula Livre. Essa prisão simboliza todas as injustiças que fazem parte da história da nossa querida nação”.

O cantor e compositor pernambucano Otto, destacou a singularidade do ex-presidente: “O único líder no mundo capaz de reunir uma massa destas é Lula, e é pelo que ele fez por esse país. Devolvam Lula ao povo! Não façam isso com uma pessoa de 74 anos, que trabalhou, que amou e que foi honesto com este país”.

O ex-presidente enviou uma carta para o festival, que foi lida pelo seu neto Tiago. “Agradeço de coração a cada uma e a cada um de vocês, artistas e público, que nesse 2 de junho fazem da praça da República a Praça da Democracia. Embora tenha o nome de “Festival Lula Livre”, sei que esse é muito mais que um ato de solidariedade a um preso político. O que vocês exigem é muito mais que a liberdade do Lula. É a liberdade de um povo que não aceita mais ser prisioneiro do ódio, da ganância e do obscurantismo”, afirmou o ex-presidente no texto (confira a (íntegra abaixo).

Confira os artistas que passaram pela terceira edição do Festival Lula Livre: Emicida, Rael, Criolo, Baiana System, Aíla, Dead Fish, Chico César, Filipe Catto, Mombojó, Odair José, Otto, Thaíde, Junu, Everson Pessoa, Unidos do Swing, Francisco El Hombre, Arnaldo Antunes, Slam das Minas, Bia Ferreira, Doralyce Soledad, Lirinha, Ilú Oba de Min, André Frateschi e banda, Márcia Castro, Zeca Baleiro, Isaar, Junio Barreto, Fernanda Takai, MC Poneis, Tulipa, Chico Chico e Duda Brack, Mistura Popular, Triz, Anelis Assumpção e Drik Barbosa.

Leia aqui a carta do ex-presidente Lula aos participantes do Festival Lula Livre.

*Com reportagem de Igor Carvalho | Edição: Mauro Ramos | Brasil de Fato.